quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Quinta-feira de sol...

Ouvi uma chamada na TV, que dizia que fariam um especial com o RPM. Resolvi então resgatar o Revoluções por Minuto e ouvi-lo, eu era louca por eles na adolescência, mas percebo que o meu gosto musical deu uma mudada incrível, todas as músicas que eu gostava,hoje não me dizem muita coisa. Ando preferindo ouvir o lado “B” dos meus L.Ps.
Percebi que estou preferindo ouvir “Flores Astrais” a “Olhar 43”, por exemplo. Coisas do século passado, mas a gente ouve, gosta, não gosta, faz releituras e segue assim.
Não apenas com relação às musicas, mas a muitas outras coisas, quando se tem  quinze, dezesseis anos a gente vê tudo de uma forma exagerada. Os amores são eternos (ou deveriam ser) os amigos são todos confidentes, os pais geralmente os vilões dessa época trágica que é a adolescência.
Mas a gente cresce e percebe que na vida adulta os problemas são reais. Os amores continuam não sendo eternos e os rompimentos doem tanto quanto antes, os amigos são pouquíssimos, agora entram em cena os colegas de trabalho que ficam mais em nossa companhia do que os familiares, somos seres sociais e temos responsabilidades que antes eram dos nossos pais. Acho que é por isso que o gosto musical vai mudando gradativamente, afinal, nós estamos em constante mudança. Aprendemos a questionar tudo ao nosso redor e passamos a ter idéias próprias (às vezes não tão próprias assim, rsrrs)
Ouvindo RPM, hoje enquanto conversava com um antigo affair, fui chamada de alterego, até que gostei, achei interessante, a forma como as outras pessoas nos vêem, talvez eu tivesse um alterego também, mas não o chamava por esse “nome”.
Quando nos descobrimos seres pensantes, descobrimos também que podemos influenciar os outros como os outros nos influenciam, não sei se por minha formação acadêmica ou por minha educação familiar, mas gosto desse contato humano. Essa coisa de saber do outro, de pensar com o outro. Hoje realmente estou sentindo certa nostalgia, acho que em relação aos anos 80/90. Quando numa quinta-feira linda como essa eu estaria com a minha turminha no clube, aproveitando o sol. Saudade é uma coisa boa, gostosa de sentir, se eu fechar os olhos posso sentir o cheiro daquelas tardes maravilhosas de bate-papo na beira da piscina. Era feliz, imensamente feliz, despreocupadamente feliz. Não havia nada que me preocupasse mais do que viver intensamente, nem a inflação que época era exorbitante, nem a queda do muro de Berlim me preocupava. Rupturas econômicas, guerra-fria, nada disso.
Hoje me vejo uma mulher adulta que trabalha, estuda, tem responsabilidades e pensa politicamente, exerço minha cidadania e tento ser uma brasileira por inteiro, aquela adolescente despreocupada com o mundo a sua volta ficou para trás. O sol brilha lá fora e eu estou cumprindo com a minha obrigação dentro de uma repartição pública.
O bom de tudo isso é que eu vivi o meu presente que hoje é meu passado. Mas que sempre será presente em minhas lembranças,
            Viver um momento de cada vez nos dá a oportunidade de aproveitar melhor tudo o que nos acontece, de viver mais plenamente toda experiência, de aproveitar mais os pequenos aprendizados embutidos em cada pequena experiência, em cada pequeno evento, em cada pequena ocorrência, em cada sensação.
            Na verdade, nada é tão insignificante que não mereça a nossa atenção.
 E, ao mesmo tempo, nada é tão importante que mereça nos absorver por completo. O mais importante é o equilíbrio em cada situação. Viver o presente, e no presente, de modo que passado e futuro permaneçam interligados a ele, mas não sobrepostos. Vivenciar o hoje, mantendo o ontem apenas como referência, e o amanhã somente como alvo. Lembrar sempre que é impossível chegar bem ao amanhã sem passar bem pelo hoje e sem abandonar o ontem.
 Uma vez um professor disse na faculdade disse que a história não repetia, mas gaguejava, ando acreditando cada vez mais nisso.


2 comentários:

  1. "...E, por honra, se existir verdade
    Existem os tolos e existe o ladrão
    E há quem se alimente do que é roubo
    Mas vou guardar o meu tesouro
    Caso você esteja mentindo..."

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  2. E essa história, não estará pelo avesso assim sem final feliz, teremos coisas bonitas pra contar... hummm e até lá vamos viver, temos muito ainda por fazer não olhe pra trás apenas começamos...

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