quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Zerando...

Não posso afirmar que o ano de 2010 tenha sido um ano de todo bom ou de todo ruim. Tive altos e baixos, foi um ano de uma paixão intensa e de um rompimento mais intenso ainda...
                No âmbito profissional está sendo satisfatório, porém poderia ter sido melhor. Acredito que tenha sido um ano muito bom para as minhas amizades, afinal conheci pessoas muito interessantes. Em cada viagem rápida, uma pessoa nova, cada barzinho ou balada... Pessoas diferentes e com histórias de vida que certamente entrarão no meu livro.
                Nunca fui tão feliz com a minha família... Minha mãe e meus irmãos e  também ganhei um sobrinho novo, que é a cara do meu pai!
                Agora estou na fase da redescoberta e da faxina, redescobrindo coisas antigas e descartando o que não me faz bem, isso inclui alguns vícios de coisas e pessoas. Não crio expectativas, mas aguardo o próximo ano de coração aberto, estou deixando pra trás muita coisa que já foi de extrema importância e hoje não me diz mais nada, deve ser o tal do amadurecimento, que chega e se instala (risos).
                Fazendo um balanço do ano, eu fiz muitas coisas boas e não me lembro de ter feito coisas ruins, na verdade eu não me lembro de ter enganado, mentido, sacaneado ou degradado alguém, sei lá... Se alguém se sentiu de alguma forma ofendido eu peço desculpas, mas acho que me lembraria!
                De qualquer forma estou zerando o ano, a vida (a vida não dá), mas é como se eu decidisse que a partir de agora eu sou uma pupa e que daqui alguns dias serei uma borboleta, com asas enormes e coloridas e voarei por aí sem rumo de flor em flor...
                O ano novo nos reserva surpresas que podem ser boas ou não, tudo vai depender do ângulo em que se vê, então que venham as surpresas, os novos desafios e tudo o mais que tiver que vir! Estarei aqui esperando as novas do Ano Novo com tudo o que tenho direito, que venham os novos amores, os novos amigos, e com elas as novas esperanças.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Maquiavélica, Nietzscheniana... Não! Sim? Humana e como todo ser humano, controverso...

Tento ser uma pessoa razoável dentro de uma dita normalidade, porém eu não sei o que é normal.  O mundo lá fora é tão complexo e temos que ser tantas pessoas ao longo da vida, que eu já não sei bem o que é o certo e o quanto esse certo pode ser errôneo. Seguimos diretrizes de ética e moral ensinadas pelos nossos pais, entretanto, devemos ser flexíveis até dentro desses ensinamentos. Muitas vezes aquela verdade absoluta que me foi dita aos cinco anos de idade, hoje não é tão verdade assim. Não sou a dona da verdade e nem creio que alguém seja. Sou uma Nietzscheniana de carteirinha.
Lembro-me que quando tinha uns doze anos, fiquei fascinada por um livro que ouvi falar e não sosseguei enquanto não o li, na época eu não havia entendido muito bem o que significava o pensamento do escritor, só fui começar a entendê-lo anos mais tarde. O livro era O Príncipe, de Maquiavel e sua temática a estratégia da conquista. Se colocarem em prática seus pensamentos em qualquer área da vida, acredito que consigam muitas coisas em benefício próprio, porém terão que dissimular muito. Num exemplo muito claro, Maquiavel diz que para se dominar uma cidade, o caminho mais rápido é a destruição, nesse caso a destruição material, mas o que ficou latente em mim após esse livro, é que há diversos tipos de destruição, destruindo a confiança de alguém essa pessoa passa a ser um alvo certo a ser conquistado, isso no trabalho, no amor, no jogo, na vida como um todo, é só uma questão de estratégia e tempo.
Eu pensei em escrever sobre bipolaridade, mas de uma forma ou de outra essa introdução coube bem no meu pensamento. Não sou uma bipolar no sentido ruim da palavra, não fui diagnosticada como tal, porém há dias em que todos os seres humanos têm momentos de loucura, uns mais e outros menos, mas temos esse momento “dia de fúria”, porque somos seres que sentimos, nos irritamos, enfim temos essa gama de sentimentos inerentes a nós, só a nós. Ultimamente tenho crido numa forma de fugir dessa coisa da bipolaridade e é uma forma maquiavélica, explicando melhor, é sendo o mais racional possível, porque é isso que Maquiavel pregava: “racionalidade”.
Há momentos na vida em que uma pessoa pensa que um abraço carinhoso a confortaria de todos os seus “ais”, pode ser verdade, é confortante estar nos braços de outra pessoa e haver essa troca de carinho, mas... Isso resolveria? Não! Somente nós mesmos podemos mudar o nosso destino, ninguém pode sofrer por você, passar por seus problemas por você, ninguém pode. A vida de cada um é pessoal e intransferível, (risos) e seus erros e acertos são individuais. Tenho percebido que até mesmo nas relações ditas afetivas, temos a péssima mania de empurrar para o outro os nossos deslizes, não é culpa de ninguém se o amor acabou. As coisas vão se desgastando e se reciclando, mas se daquela paixão arrebatadora não sobrou nem um carinho, é porque foi uma relação tão profunda quanto um pires. Pessoas humanas são controversas e bipolares, todos somos, e como esse termo está muito na moda, resolvi usá-lo.
A intensidade com que sofremos é muitas vezes inversamente proporcional ao que vivemos. Tive um dia ruim, mas e aí? Deu vontade de dar um escândalo e gritar que estou certa? Deu, porém racionalmente o melhor a se fazer é se calar, e pensar no porque de certas coisas... Refletindo sobre “N” coisas a vida vai ficando menos nebulosa.
Agora no aconchego do meu quarto, consigo perceber coisas que ficaram implícitas ao longo da minha vida, só sei que tenho hoje a mente mais aberta às percepções e as releituras que tenho feito ao longo desses cinco meses em que fui traída pelos meus sentimentos, efetivamente não tenho idéia de como acordarei amanhã, mas tenho consciência de que serei o mais maquiavélica possível, afinal se somos seres racionais... Que tal agirmos como tais? Talvez eu seja feliz, talvez não... vou tentar! Vou viver tentando.

“ Faz muito pouco tempo aprendi a aceitar que quem é dono da verdade não é dono de ninguém. Só não se esqueça que atrás do veneno das palavras sobra só o desespero de ver tudo mudar, talvez até porque ninguém mude por você”
(Capital inicial, Algum dia)

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Deixa-me ter voce

Expresso meus desejos mais ocultos
Tenho a boca seca diante do que ouso alcançar
Olhos brilhantes e sensuais
Envolta num desejo difuso e carnal
Desejos de realização de um desejo
Sinta comigo
Quero ter-te na boca
Sugar-te a alma
Boca e língua de modo intuitivo e primitivo
Deixo-me acontecer
Renuncio ao tempo que vibra
Fico em silencio e ouço
Que a loucura é irmã da cruel sensatez
Tudo é incerto e
Eu sou a expressão do prazer e da volúpia
Deixa-me ter você
Lê a energia que está no meu silêncio
Sinta a vibração do meu desejo
Liberta-se da escravidão da tua palavra
Permita-se sentir-me

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Um brinde

Façamos um brinde
Ao vento que faz as arvores displicentemente dançarem
Ao pó que se levanta do chão em forma de espiral
As nuvens brancas que formam desenhos no céu azul
Ao pensamento lúdico que temos quando vemos esse céu
Façamos um brinde
Ao sorriso inocente da criança que acabou de perder seus dentinhos de leite
A beleza da moça feia
A experiência do idoso que de tão experiente chega a estar cansado
A circunferência da barriga da mulher grávida
Façamos um brinde
Ao s ruídos das portas que envelhecidas abrem-se para alguém entrar
As janelas dos prédios fechadas
Aos insetos que tentam adentrar essas janelas
E a alegria dos pássaros que se servem gulosos desses insetos
Façamos um brinde
Ao canto das maritacas que de tão irritante, torna-se belo
As cigarras que emergiram da terra e morrerão após o amor
As ervas daninhas que teimam em crescer só para nos lembrar que existem
As flores que reinam absolutas tanto em jardins como em qualquer outro lugar
Façamos um brinde
A água que desce da montanha para formar o rio
A própria montanha que a distancia fica azulada
Ao sol que queima a pele de quem trabalha sob sua luz
A chuva que virá no fim da tarde
Façamos um brinde
A tarde que nos trará a noite
E com a noite o frescor do descanso
Aos seres noturnos que nos assustam por serem incomuns
Ao diferente, porque o igual é cansativo aos olhos
Façamos um brinde
Ao amor e a toda dor que ele nos proporciona ao longo da vida
A misericórdia de Deus por nos sustentar
Aos sentimentos em todas as suas faces
A vida, façamos esse brinde a vida!!!










quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Quinta-feira de sol...

Ouvi uma chamada na TV, que dizia que fariam um especial com o RPM. Resolvi então resgatar o Revoluções por Minuto e ouvi-lo, eu era louca por eles na adolescência, mas percebo que o meu gosto musical deu uma mudada incrível, todas as músicas que eu gostava,hoje não me dizem muita coisa. Ando preferindo ouvir o lado “B” dos meus L.Ps.
Percebi que estou preferindo ouvir “Flores Astrais” a “Olhar 43”, por exemplo. Coisas do século passado, mas a gente ouve, gosta, não gosta, faz releituras e segue assim.
Não apenas com relação às musicas, mas a muitas outras coisas, quando se tem  quinze, dezesseis anos a gente vê tudo de uma forma exagerada. Os amores são eternos (ou deveriam ser) os amigos são todos confidentes, os pais geralmente os vilões dessa época trágica que é a adolescência.
Mas a gente cresce e percebe que na vida adulta os problemas são reais. Os amores continuam não sendo eternos e os rompimentos doem tanto quanto antes, os amigos são pouquíssimos, agora entram em cena os colegas de trabalho que ficam mais em nossa companhia do que os familiares, somos seres sociais e temos responsabilidades que antes eram dos nossos pais. Acho que é por isso que o gosto musical vai mudando gradativamente, afinal, nós estamos em constante mudança. Aprendemos a questionar tudo ao nosso redor e passamos a ter idéias próprias (às vezes não tão próprias assim, rsrrs)
Ouvindo RPM, hoje enquanto conversava com um antigo affair, fui chamada de alterego, até que gostei, achei interessante, a forma como as outras pessoas nos vêem, talvez eu tivesse um alterego também, mas não o chamava por esse “nome”.
Quando nos descobrimos seres pensantes, descobrimos também que podemos influenciar os outros como os outros nos influenciam, não sei se por minha formação acadêmica ou por minha educação familiar, mas gosto desse contato humano. Essa coisa de saber do outro, de pensar com o outro. Hoje realmente estou sentindo certa nostalgia, acho que em relação aos anos 80/90. Quando numa quinta-feira linda como essa eu estaria com a minha turminha no clube, aproveitando o sol. Saudade é uma coisa boa, gostosa de sentir, se eu fechar os olhos posso sentir o cheiro daquelas tardes maravilhosas de bate-papo na beira da piscina. Era feliz, imensamente feliz, despreocupadamente feliz. Não havia nada que me preocupasse mais do que viver intensamente, nem a inflação que época era exorbitante, nem a queda do muro de Berlim me preocupava. Rupturas econômicas, guerra-fria, nada disso.
Hoje me vejo uma mulher adulta que trabalha, estuda, tem responsabilidades e pensa politicamente, exerço minha cidadania e tento ser uma brasileira por inteiro, aquela adolescente despreocupada com o mundo a sua volta ficou para trás. O sol brilha lá fora e eu estou cumprindo com a minha obrigação dentro de uma repartição pública.
O bom de tudo isso é que eu vivi o meu presente que hoje é meu passado. Mas que sempre será presente em minhas lembranças,
            Viver um momento de cada vez nos dá a oportunidade de aproveitar melhor tudo o que nos acontece, de viver mais plenamente toda experiência, de aproveitar mais os pequenos aprendizados embutidos em cada pequena experiência, em cada pequeno evento, em cada pequena ocorrência, em cada sensação.
            Na verdade, nada é tão insignificante que não mereça a nossa atenção.
 E, ao mesmo tempo, nada é tão importante que mereça nos absorver por completo. O mais importante é o equilíbrio em cada situação. Viver o presente, e no presente, de modo que passado e futuro permaneçam interligados a ele, mas não sobrepostos. Vivenciar o hoje, mantendo o ontem apenas como referência, e o amanhã somente como alvo. Lembrar sempre que é impossível chegar bem ao amanhã sem passar bem pelo hoje e sem abandonar o ontem.
 Uma vez um professor disse na faculdade disse que a história não repetia, mas gaguejava, ando acreditando cada vez mais nisso.


quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Vazio

Sou um ser desprovido de forma
Sei que tenho um coração que pulsa e abastece
Meus órgãos com o fluido quente e vivo
 O sentimento de perda se perdeu
Nos porões da minha memória
Meu coração está vazio de sentimentos
Minha cabeça agora me guia racionalmente
Após meses de sofrimento
Descubro que não há tristeza que não se acabe
Acostumada ao gosto amargo do abandono
Na boca agora o gosto do nada
Sinto-me vazia
Nem tristeza, nem dor, nem amor
Apenas o vazio
Estranhamente vazia
Sinto uma clareza tão grande que me anula
O vazio que emana de mim tem o cheiro
De um dia, após dia, uma noite..
Exaurida, deixo-me estar vazia e lúcida
É uma lucidez vazia, como explicar?
Estou vendo claramente o vazio
Anseio os amanheceres e descobertas
A vida e suas contradições
O velho sentimento nutrido pela dor
Ficará guardado num velho baú da memória