quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Vazio

Sou um ser desprovido de forma
Sei que tenho um coração que pulsa e abastece
Meus órgãos com o fluido quente e vivo
 O sentimento de perda se perdeu
Nos porões da minha memória
Meu coração está vazio de sentimentos
Minha cabeça agora me guia racionalmente
Após meses de sofrimento
Descubro que não há tristeza que não se acabe
Acostumada ao gosto amargo do abandono
Na boca agora o gosto do nada
Sinto-me vazia
Nem tristeza, nem dor, nem amor
Apenas o vazio
Estranhamente vazia
Sinto uma clareza tão grande que me anula
O vazio que emana de mim tem o cheiro
De um dia, após dia, uma noite..
Exaurida, deixo-me estar vazia e lúcida
É uma lucidez vazia, como explicar?
Estou vendo claramente o vazio
Anseio os amanheceres e descobertas
A vida e suas contradições
O velho sentimento nutrido pela dor
Ficará guardado num velho baú da memória

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