Acredito que nós que moramos no Vale do Paraíba estamos todos horrizados com os últimos acontecimentos.
Assistíamos ao noticiário e víamos seqüestros, roubos, mortes como sendo algo um tanto quanto distante, nós, os piraquaras como costuma dizer Ocílio Ferraz, estávamos acostumados a culpar a Capital por tanta violência, afinal as cidades grandes são pólos violentos. Até aqui tudo normal. Entretanto chegamos a um dia em que essa violência dos grandes pólos invadiu cidadezinhas bucólicas e pacatas. Aí eu me pergunto, onde foi que esses pais erraram? As cidades interioranas como Cunha e Lorena, são provincianas, onde todos praticamente se conhecem ainda pelas famílias. Esse final de 2010 e início de 2011 é atípico na nossa região. Quando iríamos imaginar que uma moça desapareceria como fumaça, para sabermos depois que ela fora morta por um rapaz que estudava, trabalhava, era de boa família (como se costuma dizer por aqui), meses depois da sua família ainda ter esperanças de vê-la com vida. E as mocinhas de Cunha? Que absurdo, duas adolescentes lindas, de boa índole mortas cruelmente por um outro jovem que deveria ser ressocializado e não foi. Eu penso nessa brutalidade e me coloco no lugar dessas famílias desfeitas, tanto as das meninas mortas, quanto as dos seus assassinos, porque não há como separar esses sofrimentos. Eu estava lendo sobre os perfis de alguns assassinos e dizia que as razões psicológicas são bastante influenciáveis nos atos praticados pelas pessoas e estes ‘ferimentos’ psicológicos podem ter origem em casos de decepção relacionamental e geralmente essas pessoas são seres solitários e incapazes de enfrentar uma perda ou um fracasso, onde um fato aparentemente sem importância desperta o mecanismo fatal em alguém socialmente isolado que quer enviar uma mensagem de revolta à sociedade. Impulsividade, perda de auto-controle, incapacidade para modificar estes comportamentos, acabam por desenvolver uma personalidade anti-social.
Eu fiquei tão chocada com as mortes que resolvi ler a respeito e fiquei impressionada com a maldade humana e com a capacidade de dissimulação. Uma vez me deram uma fechada no transito e eu xinguei o outro condutor de “animal”, ledo engano meu ao dizer isso, eu deveria ter dito “seu humano”, porque os animais não são mentirosos e ardilosos como nós, eles são puros e somente se defendem.
Fica registrada a minha indignação com a raça humana e mais uma vez vou compartilhar uma letra do Renato Russo com vocês:
Os Anjos
Composição : Renato Russo
Hoje não dá
Hoje não dá
Não sei mais o que dizer
E nem o que pensar
Hoje não dá
Não sei mais o que dizer
E nem o que pensar
Hoje não dá
Hoje não dá
A maldade humana agora não tem nome
Hoje não dá
Hoje não dá
A maldade humana agora não tem nome
Hoje não dá
Pegue duas medidas de estupidez
Junte trinta e quatro partes de mentira
Coloque tudo numa forma
Untada previamente
Com promessas não cumpridas
Adicione a seguir o ódio e a inveja
Dez colheres cheias de burrice
Mexa tudo e misture bem
E não se esqueça antes de levar ao forno temperar
Com essência de espirito de porco
Duas xícaras de indiferença
e um tablete e meio de preguiça
Junte trinta e quatro partes de mentira
Coloque tudo numa forma
Untada previamente
Com promessas não cumpridas
Adicione a seguir o ódio e a inveja
Dez colheres cheias de burrice
Mexa tudo e misture bem
E não se esqueça antes de levar ao forno temperar
Com essência de espirito de porco
Duas xícaras de indiferença
e um tablete e meio de preguiça
Hoje não dá
Hoje não dá
Está um dia tão bonito lá fora
E eu quero brincar
Hoje não dá
Está um dia tão bonito lá fora
E eu quero brincar
Mas hoje não dá
Hoje não dá
Vou consertar a minha asa quebrada
E descansar
Hoje não dá
Vou consertar a minha asa quebrada
E descansar
Gostaria de não saber destes crimes atrozes
É todo dia agora e o que vamos fazer?
Quero voar pra bem longe mas hoje não dá
Não sei o que pensar e nem o que dizer
Só nos sobrou do amor
A falta que ficou
É todo dia agora e o que vamos fazer?
Quero voar pra bem longe mas hoje não dá
Não sei o que pensar e nem o que dizer
Só nos sobrou do amor
A falta que ficou

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