segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

"Não existem fatos eternos e nem verdades absolutas."

Não há nada fixo na vida: nem dor infinita, nem alegria eterna, nem im­pressão permanente, nem entusiasmo du­radouro, nem resolução elevada que possa durar toda a vida! Tudo se dissolve na tor­rente dos anos. Os minutos, os inumeráveis átomos de pequenas coisas, fragmentos de cada uma das nossas ações, são os vermes roedores que devastam tudo quanto é grande e ousado... (Schopenhauer)


Desde o ano passado eu tenho percebido em mim, uma sensação de não pertencimento. É como se eu não pertencesse a lugar algum, como se meus amigos e familiares vivessem e eu em nada participasse de suas vidas, sentindo-me como expectadora e só, por mais que eu interagisse não me sentia integrada. Via tudo de um degrau mais alto.
E mesmo sendo uma pessoa que constantemente descobre novas coisas e novas possibilidades, decidi que daria uma guinada na minha vida e trocaria o antigo, ocioso ou mesmo ultrapassado, por algo novo. Comecei então uma faxina, por dentro e por fora. Fiz algumas despedidas com pessoas que amei e não me foram ao menos solidárias, deixei-as para trás (literalmente), afastei-me de pessoas que não somavam nada de útil a minha vida, decidi que viveria a uma nova fase dessa minha vida.
Mudei móveis, pintei paredes, joguei muita coisa fora. Meu habitat natural, ou seja, o meu quarto, ficou com uma cara nova. Mas ainda faltava alguma coisa, e então passei a interagir cada vez mais com pessoas diferentes e interessantes e fiz vários “novos amigos de infância,” conheci pessoas maravilhosas e com neuroses diferentes, passei a ter menos preconceitos ainda, o que foi muito bom. Descobri que o que me fascina cada vez mais, é a diversidade.
Há aproximadamente duas semanas eu estava numa infelicidade absurda e conversando com um dos meus irmãos, descobri que o que me incomodava mesmo era a mesmice em que tinha se transformado a minha vida profissional, sem previsões de crescimento ou mesmo qualquer outra coisa que me satisfizesse como pessoa. Foi então que decidi procurar outro emprego e pasmem: eu consegui! Hoje foi o meu último dia no meu emprego de oito anos e quase cinco meses, me senti como se deixar todos aqueles colegas e alguns amigos lá do trabalho, tivesse um sentido mais que doloroso, tanto que me emocionei com cada voto de boa sorte, e cada abraço sincero, mas foi o que eu escolhi para essa nova fase da minha vida. Eu não seria justa comigo se me propusesse uma mudança e a fizesse pela metade. Foi difícil ir embora e como diz Humberto Gessinger numa canção “é difícil ficar e impossível partir”, mas era hora de me desligar do antigo e seguir em frente.
Vejo-me como o ser mais necessitado de todos os seres tenho vontades, de­sejos encarnados, um composto de mil ne­cessidades. Mas agora eu posso dizer que estou realmente pronta para um ano novo. Serão novas perspectivas, novas desilusões, novos amores, novas angústias e alegrias, e quanto maior o obstáculo, mais prazeroso passar por ele, eu preciso de desafios e vitórias. Sentimos a dor, mas não a ausência da dor; sentimos a inquietação, mas não a au­sência da inquietação; o temor, mas não a  segurança e isso motiva-me cada vez mais.
Schopenhauer diz : A vida é uma caçada incessante onde, ora como caçadores, ora como caça, os entes disputam entre si os restos de uma horrível carnificina; uma his­tória natural da dor que se resume assim: querer sem motivo, sofrer sempre, lutar sempre, depois morrer e assim sucessiva­mente pelos séculos dos séculos(...)”  e de certa forma é esse o nosso objetivo, o de não passar por essa vida impunemente.
Sou um ser controverso e pensante, e como tal sinto-me cheia de dúvidas e incertezas, o que me faz acreditar cada vez mais que somos mutantes e que em cada verdade há um mistério a ser desvendado em a cada  fato novo podemos nos descobrir como pessoas melhores (ou não), afinal parafraseando Nietzsche “ não existem fatos eternos e nem verdades absolutas.”


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