Não há nada fixo na vida: nem dor infinita, nem alegria eterna, nem impressão permanente, nem entusiasmo duradouro, nem resolução elevada que possa durar toda a vida! Tudo se dissolve na torrente dos anos. Os minutos, os inumeráveis átomos de pequenas coisas, fragmentos de cada uma das nossas ações, são os vermes roedores que devastam tudo quanto é grande e ousado... (Schopenhauer)
Desde o ano passado eu tenho percebido em mim, uma sensação de não pertencimento. É como se eu não pertencesse a lugar algum, como se meus amigos e familiares vivessem e eu em nada participasse de suas vidas, sentindo-me como expectadora e só, por mais que eu interagisse não me sentia integrada. Via tudo de um degrau mais alto.
E mesmo sendo uma pessoa que constantemente descobre novas coisas e novas possibilidades, decidi que daria uma guinada na minha vida e trocaria o antigo, ocioso ou mesmo ultrapassado, por algo novo. Comecei então uma faxina, por dentro e por fora. Fiz algumas despedidas com pessoas que amei e não me foram ao menos solidárias, deixei-as para trás (literalmente), afastei-me de pessoas que não somavam nada de útil a minha vida, decidi que viveria a uma nova fase dessa minha vida.
Mudei móveis, pintei paredes, joguei muita coisa fora. Meu habitat natural, ou seja, o meu quarto, ficou com uma cara nova. Mas ainda faltava alguma coisa, e então passei a interagir cada vez mais com pessoas diferentes e interessantes e fiz vários “novos amigos de infância,” conheci pessoas maravilhosas e com neuroses diferentes, passei a ter menos preconceitos ainda, o que foi muito bom. Descobri que o que me fascina cada vez mais, é a diversidade.
Há aproximadamente duas semanas eu estava numa infelicidade absurda e conversando com um dos meus irmãos, descobri que o que me incomodava mesmo era a mesmice em que tinha se transformado a minha vida profissional, sem previsões de crescimento ou mesmo qualquer outra coisa que me satisfizesse como pessoa. Foi então que decidi procurar outro emprego e pasmem: eu consegui! Hoje foi o meu último dia no meu emprego de oito anos e quase cinco meses, me senti como se deixar todos aqueles colegas e alguns amigos lá do trabalho, tivesse um sentido mais que doloroso, tanto que me emocionei com cada voto de boa sorte, e cada abraço sincero, mas foi o que eu escolhi para essa nova fase da minha vida. Eu não seria justa comigo se me propusesse uma mudança e a fizesse pela metade. Foi difícil ir embora e como diz Humberto Gessinger numa canção “é difícil ficar e impossível partir”, mas era hora de me desligar do antigo e seguir em frente.
Vejo-me como o ser mais necessitado de todos os seres tenho vontades, desejos encarnados, um composto de mil necessidades. Mas agora eu posso dizer que estou realmente pronta para um ano novo. Serão novas perspectivas, novas desilusões, novos amores, novas angústias e alegrias, e quanto maior o obstáculo, mais prazeroso passar por ele, eu preciso de desafios e vitórias. Sentimos a dor, mas não a ausência da dor; sentimos a inquietação, mas não a ausência da inquietação; o temor, mas não a segurança e isso motiva-me cada vez mais.
Schopenhauer diz : “A vida é uma caçada incessante onde, ora como caçadores, ora como caça, os entes disputam entre si os restos de uma horrível carnificina; uma história natural da dor que se resume assim: querer sem motivo, sofrer sempre, lutar sempre, depois morrer e assim sucessivamente pelos séculos dos séculos(...)” e de certa forma é esse o nosso objetivo, o de não passar por essa vida impunemente.
Sou um ser controverso e pensante, e como tal sinto-me cheia de dúvidas e incertezas, o que me faz acreditar cada vez mais que somos mutantes e que em cada verdade há um mistério a ser desvendado em a cada fato novo podemos nos descobrir como pessoas melhores (ou não), afinal parafraseando Nietzsche “ não existem fatos eternos e nem verdades absolutas.”
Há pessoas das quais não nos despedimos, pois elas nunca se vão...
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