Borboletas no estomago
Algumas pessoas são complexas,
outras simples de se entender. Acredito que eu seja complexa, porque da
simplicidade nutro a vontade de saber dizer apenas sim ou não, mas me traio
pensando no talvez.
Sei que é para frente que se olha
quando se quer chegar nalgum lugar, e que o passado fica para trás todas as
vezes que acordamos no presente. Difícil não é ser nomeada, difícil é viver com
rótulos.
Gosto de me sentir como a terra,
que dá a luz tanto a relva quanto às flores mais nobres, gosto de pensar que
minhas flores nascem no pensamento e desabrocham
nas palavras.
Enquanto sou a terra e sinto o
desabrochar das rosas que com sua pétalas delicadas exalam um cheiro de vida, mas
sofro em sentir que da mesma rosa que exala o perfume, machucam-me os espinhos,
ferem-me a alma.
A chuva cai sobre mim e me
acaricia lascivamente, assim como o sol com seus raios, me penetram tirando-me
o ar. Sinto um certo contentamento com o sol, que aquece e machuca, como se
fosse alguém de carne, ossos, alma e cérebro.
Alguém diferente desse ser terra,
que abriga a ervas daninhas e plantas que curam. Minha analogia cabe bem, quando
penso que as vezes o mesmo remédio que cura será o veneno que mata.
As borboletas no estômago voavam
como loucas como se estivessem correndo de um incêndio, nada mais é do que uma
paixão, intensa e fugaz.
Quero ser terra e parir as
flores, as ervas daninhas, o bom e o mau. Quero ser terra e ser transpassada
pelos vermes que de mim não se dão conta, sou um caminho apenas.
Ao sol me abro, à chuva me
deleito e sou femea no cio, colhendo o tempo do pensamento.
É tempo de colheita e sinto
borboletas no estomago, obscura a mim mesma, sinto raízes
arrancadas de mim...


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