terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Borboletas no estomago




Borboletas no estomago

 

Algumas pessoas são complexas, outras simples de se entender. Acredito que eu seja complexa, porque da simplicidade nutro a vontade de saber dizer apenas sim ou não, mas me traio pensando no talvez.

Sei que é para frente que se olha quando se quer chegar nalgum lugar, e que o passado fica para trás todas as vezes que acordamos no presente. Difícil não é ser nomeada, difícil é viver com rótulos.

Gosto de me sentir como a terra, que dá a luz tanto a relva quanto às flores mais nobres, gosto de pensar que minhas flores nascem  no pensamento e desabrocham nas palavras.

Enquanto sou a terra e sinto o desabrochar das rosas que com sua pétalas delicadas exalam um cheiro de vida, mas sofro em sentir que da mesma rosa que exala o perfume, machucam-me os espinhos, ferem-me a alma.

A chuva cai sobre mim e me acaricia lascivamente, assim como o sol com seus raios, me penetram tirando-me o ar. Sinto um certo contentamento com o sol, que aquece e machuca, como se fosse alguém de carne, ossos, alma e cérebro.

Alguém diferente desse ser terra, que abriga a ervas daninhas e plantas que curam. Minha analogia cabe bem, quando penso que as vezes o mesmo remédio que cura será o veneno que mata.

As borboletas no estômago voavam como loucas como se estivessem correndo de um incêndio, nada mais é do que uma paixão, intensa e fugaz.

Quero ser terra e parir as flores, as ervas daninhas, o bom e o mau. Quero ser terra e ser transpassada pelos vermes que de mim não se dão conta, sou um caminho apenas.

Ao sol me abro, à chuva me deleito e sou femea no cio, colhendo o tempo do pensamento.

É tempo de colheita e sinto borboletas no estomago, obscura a mim mesma, sinto  raízes  arrancadas de mim...

 

 

 

 


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